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O que deixei de ser

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Confesso que em determinados pontos da vida, gostaria que alguns momentos nunca tivessem existido, ou melhor, que nunca chegassem a acontecer, mas aconteceram e, o melhor que podemos fazer, é tentar lidar com cada um deles da melhor forma. Seguir em frente em meio aos tropeços, cacos de vidro e pedras espalhadas pelo assoalho da casa.
Já se passou algum tempo desde aquela noite, mas ainda assim é como se as cenas estivessem acontecendo agora. Posso refazê-las mil vezes e nunca deixarão de serem enigmáticas, repugnantes. E, mesmo que tentasse descreve-las a quem quisesse ouvir, não conseguiria, não entenderiam tais sentimentos de repúdio, ao menos, não como deveriam.
É como se nada do que eu dissesse importasse. É como se ninguém realmente ligasse. Após aquela noite meu mundo desabou. Me vi presa em um vazio tão grande, que não pudesse ser preenchido e ainda não pode ser. E ainda que eu estivesse no escuro, o mundo estava claro. As ruas continuaram as mesmas. Os carros continuaram a seguirem seus percursos. As pessoas foram ao trabalho, as crianças para as escolas e os rios continuaram correndo. A vida continuou passando, em constante movimento.
E foi aí que percebi que apesar de parecer que o mundo já não se fazia mais tão importante, o tempo não parava. O fluxo das coisas continuava correndo, a medida com que ele, acelerado, transcendia as estribeiras do nosso peito. O sangue por dentre as veias do nosso corpo, os pontos elétricos em nosso cérebro, a mente turbulenta que não obtinha parada.
Já se passou algum tempo desde aquela noite, e nesse meio tempo, me refiz. E, sendo outra, já não pertenço, se é que um dia cheguei a pertencer, à você. Veio como um raio, não me recordo ao certo em como chegou até mim. Se aproveitou da minha alegria, antes, tão espontânea e errônea. Confundiu-me com um outro alguém.
Mas, tudo bem. Dizem que, ao menos, dentre um tempo determinado de 7 à 10 anos, o nosso corpo reconstrói todas as nossas células. As células antigas são substituídas, para dar lugar a novas. Assim, creio que um dia, terei um corpo que ainda não foi tocado por você. E, esse será o melhor dos presentes já concebidos.
A cada dia que passa, me torno mais minha. E, tenho a certeza de que ainda terei tamanha satisfação em olhar para trás e perceber que deixei de ser, para me tornar ainda mais além do que poderia imaginar, me fortalecer. Enraizar-me nas raízes do que sou/tornei-me. Levantar mulher.

Cada mente é um universo

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Cada mente é um universo. Cada mente guarda galáxias. Essas galáxias são as que explicam cada pedacinho de cada ser existente. Entende-las é que se torna difícil. Imagine, quem aqui é formado em entender o universo? um universo que nem se sabe ao certo ser finito ou infinito. Nós estamos em um. E quem garante que não existam outros? Universos alternativos com outras versões de nós mesmos que nem imaginaríamos que pudessem acontecer ou existir. Não entendemos do universo. Não sabemos tudo sobre as galáxias. Não sabemos tudo do mundo. Da vida. De nós mesmos. Quem dirá o que se passa na cabeça/mente turbulenta de outro alguém? Por isso a empatia é importante. Por isso é necessário ser gentil mesmo nos seus piores dias. Por isso é importante cumprimentar o carteiro, a moça da padaria, o senhor sentado na esquina ou a pessoa atrás de você na fila do banco. Por isso é importante demonstrar o amor e a gratidão pela a vida e as pessoas que se tem por perto todos os dias e não só quando algo ruim acontece. Mas a gente esquece e só dá valor, quando perde. Quando a vida se esvai e cai a ficha de que já não teremos mais a pessoa ali.
Se você ama, demonstra. Se você quer ter a pessoa ali contigo todos os dias, seja pra rir ou pra chorar, FALA. Grita pro mundo o amor que sente. Espalhe boas vibrações. Vivemos apenas na certeza de que o amanhã virá, pois viva com a certeza de que talvez ele não venha. Temos que deixar de pensar no amanhã e cairmos em nós mesmos para que o hoje possa ser aproveitado da melhor forma. Hoje você vive, e amanhã? Ninguém sabe.
Não sabemos sobre o futuro. Não sabemos sobre a vida. Não sabemos quando ela vem ou quando ela vai. O que podemos fazer sobre as incertezas que ela traz, é agarra-las e ama-las até o último segundo que temos. Abraça tua mãe! Teu pai. Tua avó. Teu tio-avô. Teu periquito... quem te criou, quem te fez e ainda faz tu ser o que é. Teus amigos, tua família, teus amores mais próximos. Teus amores em vida. Abraça a vida. Sorri pros ventos, pros mares e pro passado que já se faz distante ou ainda permanece presente. Manda mensagem de bom dia, mesmo naquele fuso-horário tenso, meio estranho. Enaltece a pessoa como sendo a flor mais linda do jardim. O ser mais lindo que se possa ter conhecido em vida.
Acredito que viemos a mundo em forma de luz e nos tornamos o que somos hoje por uma simples questão de facilitar o andar na terra. O homem, a terra e o momento. Ainda somos luz. E ela se exalta em cada ser de maneira distinta. Pois somos todos iguais em essência, mas nossas ações determinam o que vamos ou viemos a ser.
Esquecemos que somos grandes galáxias em um mundo maior ainda, o que nos torna pequenos mediante à um universo, a vida e a todos os seres habitáveis em mundo. A vida é o hoje. É o agora. É o momento e o que você faz dele pra si, pros outros. Faça o bem e seja gentil, sempre. Todos nós temos as nossas batalhas internas todos os dias. Todos nós somos guerreiros da vida. Todos nós somos pontinhos em meio a constelações de estrelas que se apagam aos poucos e, apesar da existência "longa", deixam de existir.
A efemeridade da vida, assusta. Mas você só vive uma vez, então viva pra caralho!

Um tal de "reinventar-se"


Cortei meu cabelo e me desprendi da vida. Acredito que cada pessoa que exista, esteja nesse plano por um propósito. Seja por ter feito algo no passado pelo qual tenha de aprender a lidar agora, para que só assim possa seguir adiante, ou, simplesmente, ser mais um dos anjos que nos trazem paz e nos permitem sentir o melhor que o universo tem a proporcionar. Não acredito que as coisas se limitem a coisas, se limitem a mundo ou a crenças existentes. Nem mesmo ao trabalho diário ou o estudo cotidiano para passar no vestibular, o que, ultimamente, tem sido o que mais ouço falar. Desprender-se do que não é necessário. Reinventar-se para a vida. Reinventar-se para si. Se desprender das amarras que a sociedade impõe. "Mulher só é bonita de cabelo comprido". "Você só é linda quando está maquiada". "Mas você usa maquiagem todos os dias? Não cansa? Homem gosta é da beleza natural". "Não pode usar batom vermelho, é coisa de puta". "E esse decote aí? Ta querendo chamar atenção?". "Chamei de gostosa e ainda me xinga? Não sabe receber elogio mesmo, mal educada". "Mulher minha não fala palavrão, nem usa saia curta". "Aprendeu a cozinhar um prato novo? Já pode casar". "Mulher tem que se dar ao respeito". "Foi para a festa e pegou quantos? Puta". "Olha lá, engravidou jovem. Puta". "Mas você é mãe solteira? A criança vai sentir falta de uma entidade paterna". Dentre demasiados comentários desnecessários a que somos obrigadas a escutar todos os dias, semanas, meses, anos, tempo, vida. Mas não me calo. E não desejo para que se calem também. 
Cortei meu cabelo e me desprendi das amarras. Percebi que preferia ele assim, natural, do jeitinho que Deus fez. Passei a sentir novos ares por dentre os fios da cabeleira, e, só assim, pude perceber o quanto aquilo me fazia bem. Lavar o cabelo, o rosto e sair para a rua assim, de alma limpa, coração cheio e olhar fugaz. A autoestima, antes subestimada apenas ao uso da maquiagem, chapinha, babyliss, dava espaço ao novo, que nada mais era do que o antigo, a antiga eu. Isabella, 12 anos, nunca havia passado um pó para esconder olheiras, um rímel que desse volume aos cílios ou uma chapinha para a alisar os fios. E voltando a ser aquela menininha de 6 anos atrás, eu percebi que já havia deixado de ser. Empoderei-me. Me refiz. E sendo outra, deixo todas as cargas passadas para trás. Sou menina, sou mulher, sou o que faço de mim pelas ações e trejeitos. Queria mudar o mundo. Hoje eu QUERO mudar o mundo. E sinto que vou, de alguma forma. Ainda não achei essa tal "forma". Ela deve estar escondida por aí, mas sou mulher que vai a luta e ganha. Isabella, 18 anos, já saiu para a rua com mais maquiagem do que possam imaginar e ainda sai quando bem entende, porque o corpo, a alma que habita, são inteiramente dela. O cabelo também, nunca deixou de ser. Hoje ela prende num rabo ou ajeita num coque todo bagunçado. Preso ou amarrado, curto ou longo, chapinha ou babyliss. Hoje todas as opções são dela. São coisas básicas que habitam o ser físico e que, muitas vezes, andam juntinhas com a nossa saúde mental.
Entenda que o corpo é seu! A alma é tua! E quem tem que se sentir bem com ele, é você. Tem gente por aí que não se sente bem estando no próprio corpo. Eu ainda sou assim com as gordurinhas a mais. A vida é assim. Um dia estamos bem, no outro já não estamos mais. Um dia você vive e no outro perece a ausência. Estamos e não estamos mais. E é justamente por esse "não sentir-se bem", que acabamos por nos submeter a situações de relacionamento abusivo, não sair-se bem em entrevistas de emprego, dentre outros fatores que podem ser exemplificados.
Você é lindo. Você é incrível. Se force a esses dizeres todos os dias diante ao espelho, sozinho. Trabalhe o ser cheio de luz que há dentro de você. A autoaceitação é um dos principais passos para uma vida feliz, emanando paz e bem-estar em ser aquilo que se é. Nada vale a sua saúde mental.

A nossa música nunca mais tocou

E daquela noite só restaram os vestígios do que um dia já fomos. Se é que fomos. Se não fomos... o que é que somos? A tua presença já não me transmitia paz. O teu calor já não me trazia desejo. Das tuas caricias só restaram os devaneios. Os meus anseios. Os meus antigos desejos. As tuas antigas falas. Os teus antigos, tão bem ditos "eu não vou a lugar algum, estarei sempre aqui com você". E por mais cruel que possa parecer, no trincar da porta eu clamava para que fosse o quanto antes. Eu já não pertencia mais a você. Nem você a mim. Se é que algum dia pertençamos a alguém ou cheguemos a nos pertencer. Foi melhor assim, disse para mim e digo a você. Foi bom enquanto durou. Agora acabou. Vai encontrar outro alguém que lhe faça bem, por enquanto, está tudo bem. Você não era o meu Romeu, a mesmo modo em que eu não chegaria aos pés da sua Julieta. Éramos o cravo e a rosa. Iguais e tão diferentes... Demorei a perceber o quanto estávamos rasos e no quanto eu estava só quando éramos dois. As pessoas ditam os amores glamurosos, as paixões infinitas.. mas são os amores falhos que os deixam ainda mais cobiçados por aqueles que demoram a encontrar. Quem sabe um dia nos encontremos novamente, com os corações mais decididos e as mentes menos conturbadas com as dores presentes de um passado tão recente. Pode ser que não tenhamos nos conhecido no lugar ou momento certo. Pode ser que tenhamos enganado o destino ou que apressemos as coisas na medida em que elas aconteceram tão rápido quanto quaisquer amor de verão. Pode ser também que esse realmente tenha sido o fim de algo que parecia tão bonito no inicio e acabou-se no afago de um abraço as preces de um clamado "the end". A nossa música nunca mais tocou. Que coincidência é o amor.